Objetivo: Discutir, por meio de uma revisão narrativa da literatura, as interfaces entre as Doenças Tropicais Negligenciadas (DTNs) e os determinantes sociais da saúde (DSS), evidenciando desigualdades estruturais e o papel do farmacêutico no enfrentamento desses agravos. Metodologia: Trata-se de uma revisão narrativa da literatura, com abordagem qualitativa, que possibilita a análise crítica de estudos científicos sobre a relação entre as DTNs e os DSS. Foram utilizados artigos acadêmicos, documentos oficiais e relatórios técnicos para compor a base teórica do estudo. Resultados e Discussão: A análise revelou três eixos centrais. O primeiro é a determinação social do adoecimento, que relaciona a prevalência das DTNs à precariedade das condições de vida, ao racismo estrutural e às desigualdades territoriais. O segundo refere-se à fragilidade das respostas públicas, marcada pela descontinuidade de programas, baixa cobertura territorial e ausência de políticas intersetoriais eficazes que articulem saúde, educação, saneamento e assistência social. O terceiro eixo aponta a exclusão científica e tecnológica, que limita o desenvolvimento de soluções voltadas às populações negligenciadas. Nesse contexto, destaca-se o papel estratégico do farmacêutico no cuidado territorializado, atuando na educação em saúde, no acompanhamento terapêutico e na vigilância epidemiológica. Considerações Finais: O enfrentamento das DTNs demanda mais do que avanços tecnológicos: requer transformações estruturais, reconhecimento das desigualdades sociais e investimento em políticas públicas que valorizem os territórios e as vidas historicamente marginalizadas. Promover a equidade em saúde exige respostas sustentáveis, baseadas na justiça social e integradas às realidades locais.