Objetivo: Este capítulo objetiva analisar, a partir da revisão da literatura, estratégias voltadas à atenção à saúde mental de adolescentes na Atenção Primária à Saúde (APS), com ênfase em ações de acolhimento, vínculo terapêutico e integração com a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS). Metodologia: O estudo consiste na revisão da literatura, conduzida nas bases de dados PubMed e BVS, utilizando descritores MeSH: “Primary Health Care”, “Adolescent” e “Mental Health Services”. Foram incluídos artigos publicados de 2020 a 2025, redigidos em português ou inglês, com acesso gratuito e temas pertinentes. Como critérios de exclusão foram considerados: publicações duplicadas, revisões de literatura ou trabalhos não pertinentes ao escopo do estudo. Após aplicação destes critérios, doze estudos foram selecionados para análise. Resultados e Discussão: Os estudos analisados evidenciam alta prevalência de sofrimento psíquico e suicidalidade entre adolescentes na APS, com incidência significativa entre grupos socialmente vulneráveis como jovens LGBTQIAPN+, populações indígenas e adolescentes em situação de vulnerabilidade social. Entre as principais barreiras identificadas para a qualificação do cuidado se destacam: ausência de protocolos clínicos específicos, insegurança dos profissionais diante de sintomas emocionais e dificuldade na oferta de escuta qualificada. Em contrapartida, integração entre APS e Centros de Atenção Psicossocial Infantojuvenil, atuação de psicólogos nas equipes, capacitações com simulações clínicas e ações intersetoriais com escolas demonstraram potencial para qualificar o cuidado. A literatura revisada reforça a importância de estratégias de educação em saúde mental e formação continuada para fortalecimento do vínculo terapêutico e adesão ao tratamento pelos adolescentes. Considerações Finais: A atenção à saúde mental de adolescentes na APS demanda fortalecimento de práticas acolhedoras, promoção da escuta ativa, identificação precoce de sinais de sofrimento psíquico e articulação em rede. Investir em capacitação das equipes, implementação de protocolos clínicos e promoção de ações intersetoriais são estratégias essenciais para a efetivação do cuidado integral e humanizado.