Objetivo. Este trabalho analisa de que forma as terapias avançadas — em especial a edição gênica — podem transformar o futuro do tratamento das doenças parasitárias negligenciadas, como leishmaniose, doença de Chagas e esquistossomose, historicamente marcadas por baixa visibilidade e investimento. Metodologia. A pesquisa adotou uma revisão narrativa da literatura científica nacional e internacional, com foco em publicações dos últimos dez anos, priorizando estudos sobre inovação biomédica, governança tecnológica e justiça sanitária. Resultados e Discussão. A análise identificou três eixos principais: (1) os avanços recentes no uso de CRISPR-Cas9 para edição do genoma de parasitas e vetores, evidenciando o potencial terapêutico da biotecnologia; (2) a exclusão geopolítica no acesso à inovação, concentrada em países do Norte Global, revelando assimetrias estruturais na distribuição do conhecimento e dos recursos; e (3) os dilemas éticos, regulatórios e políticos associados à aplicação de tecnologias biomédicas em populações vulneráveis, com riscos de aprofundamento das desigualdades. Apesar dos resultados laboratoriais promissores, persistem barreiras significativas para a incorporação equitativa dessas tecnologias no Sul Global. Considerações Finais. Conclui-se que a superação da negligência exige mais que soluções tecnológicas: requer marcos regulatórios inclusivos, financiamento público internacional, participação comunitária e compromisso político com o direito à saúde. A edição gênica poderá ser uma ferramenta estratégica no enfrentamento das doenças parasitárias, desde que orientada por princípios de soberania científica, ética da inovação e equidade global.