Objetivo: O presente estudo teve como objetivo analisar as notificações de casos confirmados de infecção pelo vírus Zika (ZIKV) em todo o território brasileiro, no período de 2020 a 2025, além de traçar o perfil do recorte populacional acometido por essa infecção. Metodologia: A pesquisa é um estudo descritivo, quantitativo e de corte transversal. A coleta de dados foi realizada a partir do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN), no banco de dados do DATASUS. A análise demográfica foi feita com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e a taxa de mortalidade foi obtida da Plataforma Integrada de Vigilância em Saúde (IVIS). Os dados foram processados no Microsoft Excel 2019. Resultados e Discussão: A análise temporal revelou que o ano de 2024 foi o mais crítico, com 37.885 casos, o que foi atribuído a fatores climáticos como o fenômeno El Niño. A distribuição dos casos foi heterogênea, com a Região Nordeste concentrando 56,05% das notificações. Bahia e Pernambuco foram os estados com mais casos, o que pode estar relacionado à sua densidade populacional. A infecção foi mais prevalente em mulheres (67,78%) e nas faixas etárias de 20 a 39 anos (39,03%), evidenciando a maior exposição da população economicamente ativa ao ZIKV. Entre as gestantes com bebês nascidos com microcefalia, a maioria se autodeclarou parda. Essa vulnerabilidade está associada a desigualdades socioeconômicas, que se manifestam de forma estrutural e racial na saúde, expondo essa população a áreas com infraestrutura deficiente. Considerações finais: Com base nos dados, o estudo reforça a necessidade de medidas preventivas contínuas, como campanhas educativas e eliminação de criadouros, além de fortalecer a vigilância epidemiológica e o manejo da infecção para reduzir complicações e mortalidade.