Objetivo: Relatar a experiência do desenvolvimento de uma intervenção em uma Unidade Básica de Saúde (UBS), que teve como objetivo fomentar o planejamento interprofissional como estratégia para fortalecer a corresponsabilização e a sustentabilidade dos grupos em saúde. Metodologia: Trata-se de um estudo qualitativo e descritivo, fundamentado na observação participante, registros em diário de campo e registros fotográficos. A ação ocorreu no segundo semestre de 2025 e foi estruturada em três etapas: apresentação da proposta ao gerente da unidade, sensibilização da equipe multiprofissional e realização de uma reunião coletiva em formato de roda de conversa. A atividade envolveu residentes, Agentes Comunitárias de Saúde (ACS), equipe multiprofissional e gestão da unidade, sendo conduzida por meio de dinâmicas de integração, levantamento dos grupos existentes e pactuação coletiva das responsabilidades. Resultados e discussão: Os resultados evidenciaram fragilidades na condução dos grupos, como a sobrecarga concentrada nos residentes e a baixa corresponsabilização da equipe. A reunião possibilitou a reorganização do processo de trabalho, com definição de cronograma, rotatividade de profissionais responsáveis, ampliação da divulgação e protagonismo das ACS na mobilização comunitária. Além disso, reforçou a importância dos grupos como dispositivos de promoção da saúde, espaços de empoderamento comunitário, fortalecimento de vínculos e corresponsabilização entre equipe e usuários. Considerações finais: Conclui-se que o planejamento interprofissional se constitui como uma ferramenta potente de gestão do cuidado na Atenção Primária, permitindo superar entraves relacionados à fragmentação das funções e garantir maior sustentabilidade às ações coletivas. A experiência evidenciou, ainda, a relevância da escuta, do diálogo e da construção compartilhada como estratégias para qualificar os processos de trabalho em saúde e ampliar a resolutividade das práticas grupais no território.