Objetivo: Examinar a relação entre a falta de segurança alimentar e a padrão alimentar em famílias brasileiras, levando em conta aspectos socioeconômicos e regionais.
Metodologia: Análise documental de caráter transversal, de abrangência nacional, utilizando microdados da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) 2017-2018, conduzida pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O nível de IA foi avaliado por meio da Escala Brasileira de Insegurança Alimentar (EBIA). Enquanto isso o padrão alimentar foi calculado por um indicador proxy, obtido por meio da diferença entre a porcentagem de indivíduos que consumiram frutas e hortaliças e a contribuição energética do consumo de produtos industrializados (UPF), segundo a classificação NOVA. Foram calculadas estatísticas descritivas e aplicados modelos de regressão linear e logística. Resultados e discussão: Identificou-se que 36,7% dos domicílios apresentavam IA, com prevalência mais elevada nas regiões Norte e Nordeste. Em todo território nacional, o consumo de alimentos de frescos foi baixo, enquanto os UPF representaram 19,7% das calorias totais, sendo mais frequentes no Sudeste e Sul. O índice proxy variou entre 0,050 e 0,084, sem associação estatisticamente importante com a IA após ajuste por renda, embora tenha sido observada tendência de relação inversa. Considerações finais: A falta de segurança alimentar brasileira demonstra marcantes diferenças regionais e, mesmo em áreas com maior segurança alimentar, o padrão alimentar pode ser prejudicado pelo alto consumo de ultraprocessados. Recomenda-se que políticas públicas sejam adaptadas às realidades locais, incentivando o acesso a alimentos frescos e reduzindo produtos ultraprocessados na dieta.