Objetivo: Avaliar a literatura brasileira sobre o atendimento em saúde a pessoas privadas de liberdade vivendo com HIV, analisando prevalência, fatores associados, estratégias de prevenção e desafios na atenção prisional. Metodologia: Trata-se de uma revisão integrativa baseada na análise de nove artigos publicados entre 2001 e 2025, coletados a partir da busca no banco de dados PubMed com descritores DeCS/MeSH “hiv infections” e “prisoners”, limitando os resultados aos estudos brasileiros, excluindo estudos que avaliassem unicamente infecções secundárias. Resultados e Discussão: Os resultados indicaram prevalências de HIV superiores às da população em liberdade, refletindo condições de vulnerabilidade social e estrutural. Fatores como baixa escolaridade, uso de drogas injetáveis, histórico de prostituição e práticas sexuais desprotegidas, especialmente entre mulheres, mostraram-se centrais na cadeia de transmissão. Os estudos também apontaram lacunas importantes no acesso a testagem, prevenção e adesão ao tratamento, agravadas pela fragmentação entre o sistema prisional e os serviços de saúde, o que compromete a integralidade e a continuidade do cuidado, sobretudo nos casos de coinfecção com tuberculose. Apesar dessas fragilidades, observaram-se avanços significativos, como a expansão dos testes rápidos, a incorporação de protocolos do Sistema Único de Saúde (SUS) em unidades prisionais e a formulação de políticas públicas específicas voltadas ao HIV no cárcere. As discussões destacaram que o SUS, ao garantir acesso universal e gratuito ao diagnóstico e tratamento, representa uma fortaleza frente às desigualdades, mas ainda enfrenta obstáculos estruturais, sociais e organizacionais para assegurar a efetividade da atenção. Considerações finais: Infere-se que a integração entre serviços de saúde e sistema prisional, aliada ao fortalecimento de programas de prevenção, educação em saúde e acompanhamento longitudinal, é fundamental para reduzir vulnerabilidades, melhorar o prognóstico das pessoas vivendo com HIV em prisões e promover maior equidade em saúde.