Objetivo: Avaliar a literatura brasileira sobre o aleitamento materno no contexto da Atenção Primária à Saúde (APS), identificando problemáticas, desafios, fortalezas do Sistema Único de Saúde (SUS) e estratégias já implementadas. Metodologia: Revisão integrativa da literatura a partir de nove artigos brasileiros publicados entre 2021 e 2025, captados do banco de dados PubMed por pesquisa pelos descritores DeCS/MeSH “breast feeding” e “primary health care”. Foram incluídos trabalhos que abordaram prevalência e fatores associados ao aleitamento materno exclusivo (AME), práticas de profissionais da APS, políticas públicas e experiências locais. Resultados e Discussão: A prevalência de AME em menores de seis meses variou entre 41% e 56,6%, com desigualdades regionais e maior vulnerabilidade nas regiões Norte e Nordeste. Fatores protetores incluíram presença de parceiro e retorno tardio ao trabalho, enquanto o uso de chupeta, idade materna mais avançada e retorno precoce ao trabalho estiveram associados ao desmame. Experiências locais, como ambulatórios de amamentação, mostraram impacto positivo na continuidade do AM. O Método Canguru apresentou taxas de AME de 73,1% na alta hospitalar, reforçando a importância da integração hospital-APS. Contudo, lacunas de conhecimento entre profissionais sobre o Guia alimentar e dificuldades em populações vulneráveis (prisões, comunidades ribeirinhas e egressos de UTIN) ainda limitam a prática. O SUS se destacou com políticas estruturantes, como Rede de Bancos de Leite Humano e Iniciativa Hospital Amigo da Criança, fundamentais para avanços observados nas últimas décadas. Considerações Finais: O fortalecimento da APS é crucial para sustentar o AME e a amamentação prolongada, exigindo integração efetiva entre maternidades e UBS, capacitação permanente das equipes, linhas de cuidado para populações vulneráveis e políticas sociais de apoio à mulher trabalhadora. A consolidação dessas estratégias é essencial para que o Brasil atinja as metas globais de aleitamento e promova maior equidade em saúde materno-infantil.