Objetivo: Este estudo analisa a relação entre arboviroses emergentes, como Zika e chikungunya, e a persistência da injustiça sanitária no Brasil, evidenciando como essas doenças afetam desproporcionalmente populações vulneráveis. O foco é compreender as falhas da vigilância epidemiológica e discutir possibilidades de transformação do modelo atual. Metodologia: Foi realizada uma revisão narrativa da literatura, abordando estudos e relatos sobre a interface entre doenças infecciosas e negligência histórica. A análise buscou identificar padrões estruturais relacionados à vulnerabilidade social, aos determinantes sociais da saúde e às respostas institucionais às emergências sanitárias. Resultados e Discussão: A análise identificou três eixos centrais: (1) a determinação social do adoecimento, com a concentração das epidemias em áreas periféricas e a ligação entre Zika congênita, pobreza e racismo estrutural; (2) a fragilidade institucional da vigilância epidemiológica, marcada pela lentidão nas respostas, descontinuidade de ações e falta de suporte às famílias; e (3) a necessidade de um novo paradigma de vigilância que inclua territorialização do cuidado, escuta qualificada e articulação intersetorial. A resposta ao vírus Zika demonstrou que soluções técnicas, desvinculadas dos determinantes sociais, são insuficientes frente às desigualdades estruturais. Considerações Finais: Conclui-se que o enfrentamento das arboviroses deve ultrapassar a lógica biomédica, incorporando ações que combatam as causas estruturais da vulnerabilidade. É essencial fortalecer o SUS, valorizar os saberes comunitários e implementar práticas participativas na vigilância. Tais medidas são fundamentais para romper com o ciclo histórico de negligência e promover justiça sanitária e equidade territorial.