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  • CAPÍTULO 09 - EPISTEMICÍDIO EM SAÚDE: DESAFIOS DA INVISIBILIZAÇÃO DE SABERES CULTURAIS E NARRATIVAS IDENTITÁRIAS

    Objetivo: O presente capítulo tem como objetivo analisar o fenômeno do epistemicídio no campo da saúde, entendido como o processo pelo qual saberes, práticas e narrativas culturais e identitárias de grupos historicamente marginalizados são silenciados, invisibilizados ou negados. Metodologia: Para atingir esses objetivos, adotou-se uma abordagem qualitativa, reflexiva e bibliográfica, articulando a revisão de literatura com análise crítica das estruturas epistemológicas que orientam a produção do conhecimento em saúde. A metodologia permitiu mapear como práticas institucionais e políticas públicas reproduzem desigualdades, ao mesmo tempo em que sinaliza estratégias capazes de fortalecer narrativas identitárias e reconhecer saberes tradicionais e comunitários como instrumentos legítimos para o cuidado e a promoção da saúde. Nesse contexto, foram examinadas contribuições teóricas sobre epistemicídio, colonialidade do saber, interculturalidade em saúde e decolonialidade, com ênfase em autores e experiências latino-americanas. Destacam-se, entre eles, Boaventura de Sousa Santos, que desenvolve os conceitos de epistemicídio e epistemologias do Sul; Sueli Carneiro, com suas reflexões sobre racismo, gênero e epistemologias afro-brasileiras; Walter Mignolo e Catherine Walsh, que discutem a colonialidade do saber e a interculturalidade; e Ailton Krenak, cujas obras sobre cosmologias indígenas e relações com o cuidado e a vida oferecem uma perspectiva crítica ao paradigma ocidental hegemônico. Resultados e Discussão: Os resultados evidenciam que o epistemicídio tem impactos diretos na desumanização do cuidado, uma vez que a imposição de saberes biomédicos uniformes negligencia dimensões culturais, espirituais e comunitárias do processo saúde-doença. Observa-se também o enfraquecimento de estratégias de promoção da saúde culturalmente sensíveis, que poderiam potencializar a adesão a práticas preventivas e o fortalecimento do autocuidado em comunidades marginalizadas. A exclusão de epistemologias não hegemônicas contribui ainda para a perpetuação de desigualdades sociais, ao reforçar uma lógica que coloca certos grupos como destinatários passivos de cuidados padronizados, em vez de sujeitos ativos de seus processos de saúde. A discussão aponta para a necessidade de integrar perspectivas decoloniais e interculturais nos serviços de saúde, na formulação de políticas públicas e nos currículos de formação profissional, de modo a reconhecer a pluralidade de saberes e a legitimar as narrativas identitárias como elementos centrais do cuidado integral. Considerações finais: Diante do exposto, enfrentar o epistemicídio no campo da saúde constitui um imperativo ético, político e social, essencial para a construção de sistemas de saúde mais equitativos, inclusivos e democráticos. Valorizar saberes plurais e incorporar narrativas identitárias fortalece a humanização do cuidado, promove justiça social e contribui para o desenvolvimento de políticas públicas que respeitem a diversidade cultural. O capítulo conclui que apenas por meio do reconhecimento e da legitimação das epistemologias marginalizadas será possível avançar para uma saúde verdadeiramente integral, capaz de atender às necessidades de todos os grupos sociais de forma respeitosa e culturalmente sensível.

CAPÍTULO 09 - EPISTEMICÍDIO EM SAÚDE: DESAFIOS DA INVISIBILIZAÇÃO DE SABERES CULTURAIS E NARRATIVAS IDENTITÁRIAS

Doi: Epistemicide; Culturally Sensitive Health Care; Traditional Knowledge; Coloniality of Knowledge; Health Inequalities

PALAVRAS CHAVE: Epistemicídio; Cuidado de Saúde Culturalmente Sensível; Saberes tradicionais; Colonialidade do saber; Desigualdades em saúde

KEYWORDS: Epistemicide; Culturally Sensitive Health Care; Traditional Knowledge; Coloniality of Knowledge; Health Inequalities

ABSTRACT:
Objective: This chapter aims to analyze the phenomenon of epistemicide in the health field, understood as the process by which the knowledge, practices, and cultural and identity narratives of historically marginalized groups are silenced, made invisible, or denied. Methodology: To achieve these objectives, a qualitative, reflective, and bibliographical approach was adopted, combining a literature review with a critical analysis of the epistemological structures that guide the production of health knowledge. The methodology allowed us to map how institutional practices and public policies reproduce inequalities, while also highlighting strategies capable of strengthening identity narratives and recognizing traditional and community knowledge as legitimate instruments for health care and promotion. In this context, theoretical contributions on epistemicide, the coloniality of knowledge, interculturality in health, and decoloniality were examined, with an emphasis on Latin American authors and experiences. Notable among these are Boaventura de Sousa Santos, who develops the concepts of epistemicide and epistemologies of the South; Sueli Carneiro, with her reflections on racism, gender, and Afro-Brazilian epistemologies; Walter Mignolo and Catherine Walsh, who discuss the coloniality of knowledge and interculturality; and Ailton Krenak, whose works on Indigenous cosmologies and relationships with care and life offer a critical perspective on the hegemonic Western paradigm. Results and Discussion: The results demonstrate that epistemicide has a direct impact on the dehumanization of care, since the imposition of uniform biomedical knowledge neglects the cultural, spiritual, and community dimensions of the health-disease process. We also observe the weakening of culturally sensitive health promotion strategies, which could enhance adherence to preventive practices and strengthen self-care in marginalized communities. The exclusion of non-hegemonic epistemologies further contributes to the perpetuation of social inequalities by reinforcing a logic that positions certain groups as passive recipients of standardized care, rather than active subjects in their own health processes. The discussion highlights the need to integrate decolonial and intercultural perspectives into health services, public policy formulation, and professional training curricula, recognizing the plurality of knowledge and legitimizing identity narratives as central elements of comprehensive care. Final considerations: Given the above, addressing epistemicide in the health field constitutes an ethical, political, and social imperative, essential for building more equitable, inclusive, and democratic health systems. Valuing plural knowledge and incorporating identity narratives strengthens the humanization of care, promotes social justice, and contributes to the development of public policies that respect cultural diversity. The chapter concludes that only through the recognition and legitimization of marginalized epistemologies will it be possible to advance toward truly comprehensive health, capable of meeting the needs of all social groups in a respectful and culturally sensitive manner.

Autor

  • ANA KARINA DA CRUZ MACHADO

  • IARA GABRIELY DA SILVA LOPES4

  • MARIA DO CÉU BEZERRA PEREIRA

  • MARIA IZABEL DOS SANTOS NOGUEIRA

  • ROBERTA MACHADO ALVES

  • VERA LUCIA SILVA DE OLIVEIRA

  • VILMA ALVES DA COSTA

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