Objetivo: Realizar uma revisão narrativa da literatura acerca da relação entre vulnerabilidade social, maternidade e saúde mental feminina. Buscou-se compreender como fatores socioeconômicos e de gênero afetam o sofrimento psíquico de mulheres, especialmente gestantes e puérperas, além de analisar como as políticas públicas incorporam - ou negligenciam
– essas demandas. Metodologia: O estudo é do tipo revisão narrativa da literatura. O levantamento bibliográfico foi realizado nas bases de dados SciELO, LILACS e Google Acadêmico. Os seguintes Descritores em Ciências da Saúde (DeCS) foram utilizados combinados com operadores booleanos: “vulnerabilidade social” AND “saúde mental” AND “mulher” OR “maternidade” AND “sofrimento emocional” OR “saúde mental” AND “atenção primária” AND “gênero”. Foram incluídos artigos publicados entre 2019 e 2025, totalizando ao final 10 artigos. Resultados e Discussão: A análise revelou três eixos: (1) a evolução das políticas públicas de saúde da mulher: avanços e desafios; (2) vulnerabilidade social e desigualdade de gênero: determinantes da saúde mental feminina; e (3) maternidade e sofrimento psíquico: entre a idealização e a invisibilidade do cuidado. Embora políticas como o PAISM, a PNAISM e a Rede Cegonha representem conquistas, as práticas assistenciais centradas no corpo biológico da mulher ainda persistem, ignorando as dimensões emocionais e sociais. A pobreza das mulheres, a sobrecarga de papéis e os dispositivos culturais patriarcais intensificam os quadros de ansiedade, depressão e sentimentos de inadequação pelas mulheres. A romantização da maternidade também contribui para o não reconhecimento do sofrimento materno, frequentemente visto como falha individual. Considerações Finais: Conclui-se que o sofrimento psíquico feminino decorre de determinantes estruturais e sociais e não deve ser reduzido à mulher. O cuidado integral às mulheres demanda integração intersetorial e sensibilidade às singularidades delas, especialmente aquelas em situação de vulnerabilidade. Superar a lógica biologicista e enfrentar o machismo estrutural são passos essenciais para práticas de cuidado éticas, políticas e emancipadoras.