Introdução: a violência doméstica contra a mulher configura-se como um grave problema de saúde pública, de caráter multifatorial e persistente, relacionado às desigualdades de gênero, às relações de poder e às vulnerabilidades sociais. Nesse contexto, a Atenção Primária à Saúde (APS) ocupa posição estratégica no enfrentamento desse fenômeno, em razão de sua proximidade com o território e da possibilidade de construção de vínculo entre profissionais e usuárias. Objetivo: evidenciar, a partir da literatura científica, os cuidados do enfermeiro no acolhimento às mulheres em situação de violência doméstica na APS. Método: trata-se de uma pesquisa bibliográfica, de abordagem qualitativa e caráter descritivo, realizada a partir do levantamento, seleção e análise de produções científicas sobre os cuidados de enfermagem no acolhimento de mulheres vítimas de violência doméstica na APS. Foram incluídos estudos publicados entre 2015 e 2025, disponíveis em texto completo, nos idiomas português e inglês, que abordassem diretamente a temática proposta. A busca foi realizada nas fontes de informações Scientific Electronic Library Online (SciELO), Google Acadêmico e Biblioteca Virtual em Saúde (BVS). Excluíram-se materiais fora do período definido, indisponíveis na íntegra ou que não tratassem do foco do estudo. Após aplicação dos critérios, 19 estudos compuseram a amostra. Resultados: emergiram três categorias: acolhimento na APS e ações de enfrentamento da violência no âmbito da APS. Evidenciou-se que o acolhimento qualificado, pautado na escuta sensível, no vínculo e na responsabilização profissional, é fundamental para a identificação precoce da violência e para a promoção do cuidado integral às mulheres. As ações de enfrentamento incluem educação permanente em saúde, articulação intersetorial, utilização de protocolos institucionais e fortalecimento da autonomia profissional do enfermeiro. Conclusão: apesar do potencial da APS no enfrentamento da violência doméstica, persistem fragilidades estruturais e organizacionais que limitam a efetividade das ações, evidenciando a necessidade de investimentos em capacitação profissional e no fortalecimento das políticas públicas voltadas à proteção das mulheres.