Introdução: As lesões crônicas caracterizam-se pelo atraso no processo fisiológico de cicatrização, permanecendo em estado inflamatório por período superior a seis semanas e apresentando elevados índices de recorrência. Essas condições representam um importante desafio para os sistemas de saúde devido à elevada prevalência, à complexidade do manejo e ao impacto negativo na qualidade de vida dos pacientes, exigindo cuidados contínuos, especializados e baseados em evidências científicas. Nesse contexto, o enfermeiro desempenha papel central na avaliação clínica, na seleção de terapias, no monitoramento da evolução das lesões e na coordenação do cuidado na Atenção Primária. Objetivo: Compreender o papel do enfermeiro na avaliação e no manejo de feridas na Atenção Primária à Saúde, destacando suas competências técnico-científicas, práticas assistenciais e os fatores que influenciam a qualidade da assistência. Metodologia: Trata-se de uma revisão integrativa da literatura, de abordagem narrativa, conduzida com base na estratégia PICo. A busca foi realizada nas bases MEDLINE, LILACS e BDENF, por meio da Biblioteca Virtual em Saúde. Foram incluídos artigos publicados entre 2016 e 2026, nos idiomas português e inglês, disponíveis na íntegra e relacionados ao tema. Após a aplicação dos critérios de elegibilidade, a amostra final foi composta por 10 estudos. Resultados e Discussão: Os estudos evidenciaram que o enfermeiro exerce papel estratégico na avaliação das lesões, escolha de coberturas, realização de curativos, monitoramento da cicatrização, educação em saúde e coordenação do cuidado. Além disso, destaca-se a importância da Sistematização da Assistência de Enfermagem, dos protocolos clínicos e da educação permanente para fortalecer a tomada de decisão e qualificar a assistência. Contudo, permanecem desafios relacionados à insuficiência de recursos materiais, limitações estruturais, ausência de protocolos padronizados e necessidade de capacitação contínua. Considerações finais: Conclui-se que o enfermeiro é essencial para a oferta de um cuidado integral, seguro e baseado em evidências às pessoas com feridas na APS, sendo indispensável investir na educação permanente, na implementação de protocolos assistenciais e no fortalecimento das condições estruturais dos serviços de saúde.