Este livro nasceu de uma pergunta repetida.
Desde outubro de 2025, quando a Política Nacional de Educação Especial Inclusiva foi instituída, a mesma dúvida chegou de professores de redes diferentes, em formações diferentes, quase sempre com as mesmas palavras: afinal, o que mudou para quem está na sala de aula?
A pergunta é justa e, por vários meses, não teve boa resposta. O texto normativo estava disponível, mas disperso em um decreto, em um segundo decreto que alterou o primeiro menos de dois meses depois e em portarias ministeriais publicadas em 2026. Boa parte do que circulava em cursos e redes sociais já estava desatualizada, porque tomava por vigente a redação de outubro, e não a de dezembro.
Em 30 de junho de 2026, o Ministério da Educação supriu parte importante dessa lacuna ao publicar os catorze volumes dos Cadernos Pedagógicos da PNEEI. São material oficial, gratuito e de boa qualidade, e este livro os cita e recomenda em quase todos os capítulos. Restam, porém, duas coisas que uma coleção ministerial não pode fazer: apresentar a política como narrativa única e contínua, em vez de catorze volumes temáticos, e examinar criticamente o que ela tem de disputado, isto é, a revisão de dezembro de 2025, o lugar das instituições especializadas e o que os dados mostram sobre a distância entre a norma e a escola. É nesses dois espaços que este livro se coloca.